Uma das perguntas que mais recebo é: “quero muito me conectar com a espiritualidade, mas não sei se estou fazendo o certo, não sei se é para mim.” Eu mesma tive muitos problemas em entender que a espiritualidade não é um guia cheio de regras ou dogmas. Comecei percebendo e entendendo que eu me via como um ser espiritual, independente de chamar a energia vital que meu corpo possui de alma, espírito, ou qualquer outro nome.

Acredito que existe, sim, uma grande força criadora, mas não penso nela como um homem de barba branca, sentado em um trono no céu (mas se você acredita, tudo bem!). Eu entendo o conceito de espiritualidade como a capacidade de ver vida em tudo que está ao nosso redor. 

Acredito, acima de tudo, em não transformar a espiritualidade em uma válvula de escape da realidade. Precisamos estar atentos ao mundo ao nosso redor e utilizar a espiritualidade para mudar nossa vizinhança. Da mesma forma que passamos a ver a natureza com outros olhos,  devemos fazer o mesmo com relação às outras pessoas. 

Quanto tempo de nossas vidas passamos cegos? Não queremos olhar para o que está errado com o mundo, para o sofrimento do outro, para nossas próprias dores. E são nessas circunstâncias, que viver a espiritualidade pode te ajudar. 

Desde que passei a vivê-la, todos meus pensamentos se transformaram. Assumo minhas sombras com carinho, sem sentir culpa ou medo. Apenas tenho vontade de, dentro das minhas limitações, mudar o que posso sem que isso seja um processo incômodo.

Sei que muito do que vemos em nossa realidade social é resultado de nossas escolhas (conscientes e inconscientes), mas também entendo que ficar presa a elas não me ajuda no processo de evolução. Por isso, sempre analiso se estou mentalmente e emocionalmente bem o bastante e penso o que eu posso fazer de maneira eficaz para melhorar o ambiente ao meu redor. 

Não existe nenhum segredo absurdo. É apenas enxergar que há vida, há energia e que se nos tornamos cientes de que tudo isso é parte do mesmo universo, podemos usar de nossa intenção para criar algo maior, melhor e cheio de amor. 

Viver a espiritualidade, no entanto, não me torna uma pessoa livre de tristeza ou dores. Esses sentimentos existem dentro de todos, mas não definem mais quem eu sou. 

Uma vez, ouvi dizer que acolher é diferente de alimentar. Não alimento mais meus medos ou limitações, eu os acolho. Me enxergo como um ser humano em constante aprendizado e me abro para que os outros conheçam minhas necessidades, sem medo de julgamento, afinal, estamos todos no mesmo barco. 

A espiritualidade me abriu para uma conexão astral muito forte, mas também me fez enxergar quem sou eu nesse planeta. Me fez olhar para o outro com mais cuidado e perceber que a natureza é nossa casa. 

Assim como o processo de começar devagar, também quero te ajudar a entender o que é a espiritualidade para você. Por isso, vamos pegar o caderninho e anotar tudo o que te faz se enxergar como um ser espiritual.

Sem medo de julgamentos e sem se prender no certo e no errado. Apenas se abra e passe para o papel o que você sente. 

Use seu coração para estar atento aos pensamentos e abra-o para se ver como parte do universo em constante mudança. 

Vamos?