Como encarar o envelhecimento de familiares?

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SETTA – Somos seres humanos e conhecemos o ciclo da vida: sabemos que nascemos, crescemos e morremos, mas não estamos preparados para enfrentar a finitude da vida. Como podemos nos preparar para encarar o envelhecimento das pessoas que amamos?

NEIDE MAGALHÃES – Não há segredos nem normas ou condições que possam ajudar. O que precisamos, para estar preparados, quando temos que encarar o envelhecimento de nossos entes queridos seria muita reflexão apoiada em ações positivas e construtivas. O primeiro passo é refletir e tomar consciência de nosso próprio processo de envelhecimento. Cada dia vivido nos torna mais velhos. Basta revisitar a fase da infância e todos os percalços do nosso crescimento pessoal até chegarmos a juventude ou a vida adulta.

Segundo passo: Não podemos esquecer que o fundamental para o Ser Humano é saber-se finito. Aceitar que a vida é passageira, como muitos letristas e poetas afirmam. Nosso imaginário vive poluído pela sensação de juventude e beleza eternas.

O terceiro passo é aprender a viver aqui-e-agora, conquistando o momento presente de nossas vidas. Parece simples mas não é uma tarefa fácil. Ao vivermos a ilusão de que somos eternamente jovens, imaginamos que o futuro está fora de alcance.

Esquecemos que em um piscar de olhos, o futuro chega, vira presente  e quando percebemos, nossos entes queridos envelheceram.

É nesse momento que nossas ações precisam ser positivas e construtivas: encarar a realidade e aprofundar nossa convivência com quem amamos, ficando mais próximo possível deles, ajudando-os em suas necessidades de afeto, carinho, compreensão, conhecimentos usuais da vida atual, sempre com muita paciência e respeito.

Mesmo que a velhice seja a última fase do curso de vida, ela não precisa ser encarada como doença ou somente geradora de incapacidades dos mais velhos. Esse não precisa ser considerado um momento de paralisação, muito pelo contrário: há muitas pessoas que começam projetos nesta fase da vida e e são bem sucedidos. A interação com as novas gerações pode gerar muitas conquistas.


O envelhecimento de familiares também provoca uma reestruturação nos papéis dos membros da família. Com o envelhecimento dos pais, os filhos assumem o lugar de responsáveis. Esse é um processo que envolve diversos fatores emocionais. Como devemos nos preparar para essa transição, para que esse processo não seja doloroso?

Primeiro precisamos reconhecer que as mudanças bio-demográficas estão afetando a dinâmica e a estruturação familiar no mundo todo. Nós não estamos sozinhos: há um número crescente de famílias multigeracionais, adotando novas dinâmicas familiares. Bem como a sociedade, através de suas políticas sociais, mesmo que iniciantes, que buscam oferecer condições de vida mais saudáveis aos idosos.

É importante um esforço conjunto, englobando familiares e a sociedade, com o objetivo de postergar as incapacidades funcionais ou cognitivas, que fazem parte do processo de envelhecimento.

É possível criar diferentes formas de convívio com os nossos idosos, não só no seio da família, mas adotando outras formas que possam auxiliá-los, mesmo na presença de situações incapacitantes. É nossa missão incentivá-los a participar de atividades no campo social, investir no seu bem-estar e na valorização das experiências pessoais adquiridas ao longo da vida.

Os fatores emocionais poderão ser minimizados, quando encararmos a realidade de nossos idosos não como um problema, mas como um privilégio, em poder conviver com pessoas que amamos, por um longo período de nossas vidas.


Sabemos que cresce cada vez mais, a chamada “Geração Canguru”: geração formada por jovens com idade entre 25 e 34 anos, que moram com os pais.

No Brasil, vivemos a realidade em que os “filhos cangurus” representam 1 em cada 4 brasileiros. Quando você mora com os pais, pode acabar não assumindo algumas responsabilidades próprias do lar ou mesmo da sua vida.
De que forma nós, jovens que optam por não sair da casa dos pais, podemos nos preparar para a vida e todas as suas responsabilidades?

A geração canguru pode ser explicada com base na representação social de uma fase da vida de intensa transição nas sociedades modernas. Seu início começa na adolescência, período em que os jovens revivem a infância e se preparam para a vida adulta.
Nessa etapa, ocorrem as maiores transformações do desenvolvimento físico-biológico dos seres humanos. Um corpo infantil rapidamente renasce em um corpo adulto. A evolução, que também é cognitiva, na maioria dos casos, pode vir acompanhada de desequilíbrio emocional.

A sensação de liberdade, de euforia pela nova imagem de um corpo jovem e das peças chaves, de casa e do carro, se misturam e geram uma pseudo-autonomia. Ao mesmo tempo, desequilíbrios emocionais acontecem, porque os jovens são representados como a força nova e latente em suas culturas. Nas sociedades urbanas, diversificadas e bastante complexas eles são representados como a nova força latente e incompleta. A pedagogia é colocada como uma ponte para a vida adulta.

Por isso, com o passar dos anos, essa fase vem sendo cada vez mais prolongada. Não tendo onde alocar suas forças latentes, as sociedades transitórias criam mecanismo para afastar o jovem do mercado de trabalho e, consequentemente, de sua ascensão social e independência financeira.

Incapazes de conquistar sua independência, grande parte dos jovens opta por permanecer no ninho.

Entretanto, isso não implica em assumir ou não responsabilidades em sua vida. Mesmo morando com os pais, os papéis podem ser definidos dentro da família. Cabe lembrar que os modelos de “repúblicas”, criados pelos jovens quando vão estudar fora de seus domicílios, tiveram origem no único modelo, inicialmente conhecido por eles, ou seja o modelo familiar. Quando o jovem opta por continuar morando com seus pais, seu comportamento será outro. À medida que ele aprende a negociar com os pais, agora como parceiros de uma comunidade de destino familiar, tal qual ele fazia ou faria, em uma morada coletiva universitária, em que quando cada um respeita o espaço privado do outro e colabora com a conservação e manutenção dos espaços comuns.

O comportamento dos filhos na nova dinâmica familiar dependerá dessas negociações entre pais e filhos.

De tempos em tempos, pode ser necessário rever as combinações adotadas entre eles e repensar as estratégias.

Em toda dinâmica de um grupo não podemos – “prometer um jardim de rosas”, mas a família não precisa ser uma instituição fechada em si mesma. Ela transita em um meio social mais amplo, com várias instituições que lhe serve de apoio.

Além disso, nós convivemos com nossos familiares através dos laços afetivos, que cultivamos ao longo da nossa existência. É na família que pais e filhos aprendem a amar, compreender e respeitar cada um de seus membros familiares, mesmo na presença de diferenças intergeracionais.

Por outro lado, os pais podem contribuir com o crescimento pessoal de seus filhos adultos residentes, com atitudes independentes e democráticas. Na divisão de tarefas e manutenção domiciliares, eles podem ser serão fonte de abertura para que seus filhos assumam responsabilidades sobre suas próprias vidas.

Cabe aos pais compreender que morar junto, não significa tornar seus filhos dependentes.

Os filhos adultos não precisam mais de “maternagem”.

O papel dos pais, através dos laços familiares, é a de serem parceiros na ajuda mútua, entre pais e filhos, no processo de adaptação de cada um à nova realidade, fortalecendo a capacidade de ambos, e principalmente dos filhos em suas escolhas de vida.

Assim sendo, dentro ou fora do ninho, o jovem pode se tornar um indivíduo responsável. Todos os arranjos decorrentes dessas situações podem resultar em grandes benefícios inter-geracionais. Ao apoiar e incentivar esse convívio, elaborando novas identidades sociais entre pais e filhos, com papéis bem definidos e divisão de tarefas, todos só terão a ganhar em bem-estar e satisfação de vida.

Entrevistada por Lorena Bordallo.

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