Foco. A filosofia, a prática, o mindset, e como ela pode transformar sua vida

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O executivo de alta performance versus o jovem querendo explorar o potencial.

Conversando, por um lado, com diversos executivos de alta performance (já tendo “provado sua capacidade para o mundo”) e, do outro lado, com jovens buscando ainda viver o seu total potencial, identifico algumas diferenças sutis no comportamento que acabam fazendo toda a diferença no output de vida (mensurados em realização e satisfação).

O segredo da perfomance não está em saber algo que ninguém sabe, ou em ter criado um sistema milagroso de produtividade (como alguns gurus de produtividade que, supostamente, encontraram a chave secreta argumentam ter — claro, para te vender alguma coisa).

A verdade é que o segredo está nos pequenos comportamentos.

Pequenos comportamentos, bem escolhidos, curados, otimizados e repetidos com constância, disciplina e continuidade.

O segredo

Pronto, esse é o “segredo” que eu poderia até vender um curso caro a respeito, mas, infelizmente, a simplicidade na cabeça da pessoa que procura a fórmula milagrosa de transformação não carrega a aparente capacidade de transformar a vida.

Esses pequenos comportamentos que viram um rito (para não falar “hábito”) e são refinados com o tempo, são o que fazem estes executivos terem grandes conquistas pessoais e profissionais. Na outra ponta, é a ausência deles que faz o jovem, se não mentorado, ficar frustrado, ansioso e insatisfeito com a ausência de realizações na vida.

Ansiedade que vem também da necessidade de conquistas de forma imediatista na cabeça dos jovens - a verdade da jornada de sucesso é que ela existe na não glamourosa repetição de bons comportamentos durante a jornada.

Hoje, eu gostaria de falar de um desses pequenos comportamentos. Ele pode transformar a nossa vida não só no output que produzimos, mas também no senso de satisfação e realização que precisamos encontrar dentro dos nossos dias.

Podemos falar de alguns hábitos diferentes, mas nada se igualará ao poder de foco, com seus efeitos não só para a produtividade, mas também para o senso de satisfação de vida, dentro de cada dia.

E, como hoje acordei querendo soluções mais pragmáticas (que podem ser implementadas hoje), irei simplificar o conceitual (comparado com meus outros textos, e não com o volume sem alma que é comum encontrarmos em “geradores de lead”).

Por que foco?

Não existe muita dificuldade para identificar a “crise do foco”, então não precisamos decorrer de forma prolongada sobre isso. É evidente que as pessoas estão sendo constantemente sobrecarregadas com informações, notificações e com o decorrente senso da necessidade de agir com urgência.

Para ilustrar o ponto da dificuldade, tenho certeza que grande minoria de vocês, leitores, chegarão ao final desse texto, que saí do padrão de X carácteres (curto) com leitura dinâmica (consumo fácil) para caber na rotina imediatista. Parcialmente por culpa minha, por não ser um grande escritor, mas parcialmente por culpa sua, por não conseguir focar em algo por 10 minutos. Desculpe. Quero apenas trazer a verdade. Aos que ficarem até o final, refletindo, mudando seus sistemas e modus operandi, obrigado. Seguindo…

Isso resulta na incapacidade de encontrar momentos de foco na vida. Parece que sempre temos tanto coisa para fazer, tantas mensagens e emails para responder, que parece contraprodutivo parar por 20, 40, 60, 90 minutos para realizar apenas uma atividade.

Mas é exatamente isso que precisamos fazer para conseguir mexer a agulha dos nossos trabalhos em direção aos nossos objetivos de curto e longo prazo.

4% do seu dia.

São esses poucos minutos, ou 4% do seu dia (se você fizer uma hora por dia), que nos desconectam do imediatismo e abrem espaço para realizarmos a conexão com a nossa essência. É desligar o botão do ego e ligar o botão da criança interna, curiosa e querendo resolver a charada como uma brincadeira. É se desconectar do ilusório senso de extrema importância do seu trabalho e se conectar com o mundo, com a natureza, com o autêntico “você”.

Caso contrário, passaremos nossas vidas constantemente trabalhando no imediatismo, tentando não deixar a casa de cartas cair, respondendo uma mensagem seguida de outra, realizando uma micro tarefa seguida de outra, sem possibilitar os insights e a conexão com algo maior.

É a vida dentro da caixa. É essa a vida que queremos viver?

Temos que parar esse ciclo. Ele não é produtivo e te faz mal. Não só impossibilita o crescimento da sua autenticidade, como também te faz mal hoje. É a vida sem vida.

O foco, do outro lado, permite a concentração nas questões intelectuais de longo prazo — é o momento no qual você consegue sair do imediatismo e ir para a visualização das transições macro, agindo em cima destes. Me empolgo só de escrever sobre isso.

É sair da micro tarefa, micro tweet, micro email, micro mensagem, e ir para o macro step, conexão, big goals, vida.

Como ter mais foco na vida?

segredo, portanto, está na capacidade de focar de forma ininterrupta e por intervalos longos de tempo, em uma única tarefa.

Isso não só irá trazer maior realização dentro do dia (com a satisfação de conseguir fazer uma tarefa, imerso, com curiosidade, sem outras obrigações, e com o simples prazer de fazer uma tarefa bem feita), como também irá mexer a agulha dos grandes projetos que parecem ter parado no tempo, por causa do mindset do imediatismo.

Você pode usar esse tempo para focar nos seus desafios profissionais, pessoais ou até no seu futuro negócio. Não importa. O que importa é começar, para a perceber a força dessa ferramenta.

Agora, para a prática.

Por favor, não se frustre com a simplicidade.

Photo by Kyran Aldworth on Unsplash

Me soa até estranho escrever isso, mas é a plena verdade do que acontece no meu trabalho. Quanto mais simples a atividade, maior a incapacidade do mentorado em crer na sua efetividade. "Se é tão simples não pode ter o efeito que preciso". Pode sim. Terá.

O segredo está na simplicidade.

Passos para o foco

Aqui vai a mensagem mais importante do texto: a primeira coisa que você precisa fazer para ter mais foco é determinar um horário em sua agenda para tal.

Você tem algumas opções:

A) Separar um momento por dia, repetido todos os dias de forma religiosa (com final de semana flexível), ou;

B) Separar um dia inteiro por semana.

C) Combinação dos itens anteriores (A + B).

D) “Próximo Nível”: C + uma semana de foco por trimestre = *VCv9.0*.

Setup

A) Para fazer o setup do “A” na sua agenda, o ideal é você analisar suas últimas semanas e tentar entender qual bloco de 1 hora (para começar) você poderia deixar travado.

É comum que esse bloco seja no começo, meados ou final de ciclos, como bem cedinho (no momento em que ainda não existem interrupções), no final da noite (depois do “mundo se acalmar”), ou até mesmo próximo do horário do almoço.

Eu pessoalmente gosto de acordar cedo e minha energia à noite é baixa. Portanto, eu encaixo meus blocos como a primeira coisa do dia, ou logo depois do almoço.

Se uma hora for muito difícil, pode tentar começar com 20 minutos para sentir o efeito do hábito, mas a ideia é chegar em um bloco de, no mínimo, 1 hora por dia. Depois, 2 blocos de 1 hora, ou 1 bloco de 2 horas. Enfim.

B) Esta opção é, sem dúvidas, a que irá trazer maior transformação em sua vida. Mas também é consideravelmente mais difícil de ser executada.

Entendo que quem escolhe esta estrutura já viu o imenso impacto que o hábito teve em sua vida, e assim decide tentar aumentar a escala do esforço. Se tiver a liberdade de agenda (ou vontade para realmente fazer) sugiro abrir seu calendário e já bloquear as quarta-feiras (ou terças/quintas) de sua vida. Depois faça todo o esforço para tentar deixá-la 100% bloqueada até chegar no dia.

Pode tentar começar com um dia a cada quinzena também.

Se quiser maximizar o retorno desse dia na sua vida, tente ir para um lugar diferente do seu dia a dia — o mais desconectado possível.

Se você realmente encontrar a disciplina para executar este item, garanto que daqui a um ano você terá transformado sua vida e produtividade.

D) O próximo nível é acrescentar o hábito diário ao hábito semanal, e depois, tirar uma semana por trimestre ou semestre.

Anote pontos de interesse: uma coisa que pode ajudar a começar o processo é, quando tiver vontade de estudar, se aprofundar ou fazer algo criativo, mas se encontra sem tempo no momento (pelo excesso de tarefas para serem feitas ou pelo mindset acelerado), anote essa vontade em um caderno (ou lista de to-do, bloco de notas, email, não importa — anote).

Quando chegar no próximo bloco de foco, você deve abrir sua lista e ver qual tem o maior “chamado” intelectual e criativo.

Dificuldades e sugestões

Racionalização

No começo, será difícil. Se esforce para identificar a racionalização e não ceder às tentações de partir para a ação no imediatismo.

Uma sugestão é manter um caderno para anotar quaisquer tarefas que apareçam durante esse intervalo. Se tranquilize, conversando com você mesmo, e se convença que essas tarefas serão feitas em outro momento. Você irá anotá-las, tirá-las da cabeça e assim, voltar a focar. Não ceda.

Obs: só por curiosidade, a maioria das coisas que você anotar e conferir num momento pós foco serão irrelevantes, e você provavelmente sentirá vontade de descartá-las.

Espaços livres = reuniões?

Você também se sentirá tentado a alocar reuniões nesses únicos espaços que se restaram. Mas trate-os como uma reunião que não pode ser remarcada. E posso falar, com convicção, que esse momento é mais importante que 90% das reuniões que você faz. Então por que não reservar o mesmo espaço de tempo para você?

Se tiver que alterar o compromisso consigo mesmo, não deixe de fazê-lo em outro momento (dica: se você está acostumado em fazer em um horário com certa facilidade, não espere a mesma facilidade para realizar o mesmo exercício em outro momento. Isso é o que acontece com hábitos em geral).

Espaço fisico e mental/emocional

Outro ponto importante é separar o espaço físico para a atividade. Limpe seu escritório, vá para um café, use outro ambiente da casa — mude o set para mudar o mindset. Use um fone de ouvido com lo-fi. Pegue seu caderno. Se divirta.

Foco no que? Como realmente seguir este hábito e não abandoná-lo, como em tantas vezes acontece na minha vida?

Você irá separar este tempo para trabalhar apenas em questões que requerem maior tempo de pensamento. Qualquer tarefa que não exija sincronização com outra pessoa e que irá te levar, no mínimo, 20 minutos para realizar.

Use o tempo para tratar as dificuldades intelectuais com curiosidade, como se fosse um quebra-cabeça. Se divirta ao mergulhar na criação de algo novo.

Em seguida, reflita sobre seu benefício e o bem-estar que teve, e reforce esse sentimento para repetir a atividade dia seguinte. Tente, realmente, trazer à tona esses sentimentos positivos para atrelar a atividade como algo positivo na sua vida.

É uma atividade individual, mas você pode até fazer disso um ritual da empresa e ter, dentro deste dia, uma reunião para falar dela com uma visão de longo prazo, se aprofundando nos seus problemas, dificuldades, oportunidades, etc.

Agora a ferramenta é sua para utilizá-la como quiser. Abuse dela e transforme sua vida para melhor.

Mesmo que não tenha um “desafio intelectual”, sente por pelo menos uma hora e faça o que der vontade (que não envolva tecnologia imediatista). O começo é difícil, mas dê chance a prática e, a cada dia, seu mente e sua alma ficarão mais a vontade com ela. Até o ponto em que será refém dela (no bom sentido 🙂

Palavras finais

Fiquei quase 90 minutos ininterruptos escrevendo esse texto. Utilizei meu tempo de foco hoje para fazer isso. Estou com a agenda lotada, viajando e tendo que espremer reuniões.

Mas sabe por que eu não abri mão desse hábito?

Porque agora já tenho o sentimento de missão cumprida por hoje. Estou motivado, satisfeito e realizado dentro do dia.

Tudo pode dar errado — todas as reuniões podem ser negativas, mas eu sei que esse momento será chave para lidar com todas as imprevisibilidades que podem vir e, inevitavelmente, virão em algum momento.

Ouso dizer que, agora, sinto que tenho maiores chances de fazer das reuniões que virão as melhores possíveis. Eu já venci meu dia; o resto é bônus. Esse sentimento é libertador.

Este simples hábito também reflete uma filosofia maior, que é o meu lifestyle; o meu sucesso não está espelhado no resultado das reuniões e avanços profissionais — e sim nestes pequenos hábitos que oferecem grandes pequenas vitórias.

Não digo que minha vida é assim o tempo todo — às vezes fico sedento em alimentar o ego — mas essa é sempre a trilha não marcada que, constantemente, me lembro de tentar voltar.

Agora vamos verificar nos analytics qual porcentagem de vocês conseguiram focar até o final, sem leitura dinâmica, sem imediatismo, curtindo o material, pensando, refletindo, configurando as mudanças de vida e sistemas que precisarão ser feitos em suas vidas. A você, meu sincero obrigado. Vamos juntos, em passo de formiga, fazer um mundo melhor (ou pelo menos a nossa parte). 🙂

SEGUNDA COM A SETTA

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