SETTA – Você acredita que as redes sociais estão afetando a percepção de sucesso das pessoas?

Maíra Lobato – Eu acredito que sim, apesar de não considerar esse o único fator que influencia essa percepção. Começamos a acreditar que o que aparece nas redes sociais é tudo que existe, que tudo é verdade, que a vida das pessoas é perfeita e que elas estão sempre felizes e satisfeitas com tudo o que têm. 

O fato de uma pessoa ser rica, famosa e ter muitos seguidores, faz com que ela seja vista como alguém bem sucedida. O sucesso passa a ser associado ao status. O que acontece é que esse status nas redes sociais não garante que ela seja realmente feliz.

Sucesso para mim é você estar realizado, sabe?! Você se sentir feliz, satisfeito em acordar todo dia, motivado a fazer o que você sabe de melhor, que é o seu dom, seu darma, sua missão aqui. 

Para mim, sucesso é paz de espírito, sabe? O que não tem nada a ver com dinheiro, fama, bens materiais, etc. Estamos muito apegados à imagem, à vaidade, ao ego e está tudo muito distorcido. Eu acho que as redes sociais estão enaltecendo ainda mais isso, fazendo com que as pessoas tenham uma percepção de sucesso bem “vesga” (torta e não clara). 

E a pressa pelo sucesso profissional ao comparar vidas nas redes sociais: quais consequências você enxerga?

Eu enxergo como consequência, pessoas insatisfeitas, infelizes, depressivas, ansiosas e com ataque de pânico. Vejo pessoas com a saúde mental e física afetadas, por conta da competição,  comparação e por uma busca incansável, por algo que, muitas vezes, a pessoa não pode alcançar. 

Acredito que cada vida é uma vida e cada pessoa é uma pessoa, assim como cada caminho a ser trilhado é único, então, não dá para a gente se comparar com o outro. Devemos nos comparar com nós mesmos, pensar em como podemos ser melhores,  comparado sempre com o que a gente foi ontem.

Acho que essa pressa pelo sucesso profissional está fazendo com que as pessoas fiquem altamente ansiosas e frustradas. Acredito que as pessoas estão realmente doentes e talvez não estejam percebendo isso. 

O que você diria sobre a frase “Se não postei, não vivi”? 

Eu acho doentio, acho que quem pensa isso está com a visão muito distorcida da vida. Para mim, é exatamente o contrário: se eu postei, eu não vivi (risos). Quando eu estou muito entregue, no momento da experiência, me desconecto totalmente do celular, de ter que fazer vídeos, fotos e postar.  

Entrevistada por Glenda Lud.