SETTA: Somos socialmente moldados a focar nos resultados e não no processo. Quando erramos, então, a frustração nos consome a tal ponto que nos tornamos incapazes de enxergar o que todo o processo nos ensinou.

De que forma podemos refazer nossas mentalidades, para nos re-educarmos a olhar com mais compaixão para nossos erros?  

Neide Magalhães: Ao focar nos resultados, deixamos de reconhecer a importância dos contextos ambientais em que estamos envolvidos e perdemos a noção do processo que desenvolvemos para atingir resultados futuros.
Ao tentar refazer nossas mentalidades e nos re-educar, descobrimos que o erro pode nos trazer novas perspectivas, novas visões sobre o que realmente desejamos para nossas vidas. O tempo presente, em que só enxergamos frustração, se torna importante para uma reflexão sobre:

1- O que somos hoje? De que maneira agimos com autenticidade, em nossas experiências diárias?

2- Em que momentos do processo de crescimento pessoal e ou profissional nos deixamos levar pelo nosso próprio Ego? Quanto nos preocupamos com nosso status social, não deixando espaço para sermos autênticos?
O Ego é uma instância que trabalha nas sombras de nossa personalidade. Nos grupos, nos relacionamos com nosso Ego, quando não aceitamos nossos próprios desejos, com medo da não aceitação social.

Muitas vezes, a frustração nos mostra que precisamos de tempo para refazer nossas metas. O tempo nos ajuda a tomar consciência dos contextos e ambientes nos quais nossa trajetória de vida acontece. Ao fixarmos nossa atenção nos resultados, pelo medo de errar,  passamos a não enxergar o que acontece em nosso entorno. Deixamos de lado a família, o grupo de amigos e nossas relações afetivas. Esquecemos que somos parte ativa desses ambientes.
À medida que desenvolvemos a compaixão por nós mesmos, sendo mais sensíveis e aprendendo a expressar nosso verdadeiro Eu, seremos capazes de encontrar resultados mais positivos e muito mais instigantes. Nesse sentido, a meditação e a reflexão se apresentam como ótimas ferramentas para desenvolvermos uma maior compaixão.

Inseridos em uma “cultura do erro”, criamos indivíduos que sentem tanto medo de julgamentos, que preferem não tentar. É necessário repensar a forma como educamos as crianças, pois isso é um fator determinante na formação de indivíduos frustrados. Como podemos fazer a diferença hoje, para que as futuras gerações tenham menos medo de errar?

Sim, realmente estamos inseridos em uma cultura onde errar não é admitido. A competição é cada vez mais acirrada e o medo de errar se torna insuportável.

O erro, entretanto, não pode ser observado sobre uma única ótica.

Podemos incluir em nossa vida, algumas ações que podem nos ajudar  a desmistificar as concepções tradicionais com relação ao erro, passando a enxergá-los de forma diferente. 

1- O ideal é que pais e educadores não evidenciem tanto os erros e sim os acertos, por  menor que sejam. É importante considerar o acerto como superação de uma etapa. A metodologia “step by step” – um passo de cada vez – ajuda o jovem a ter consciência de sua evolução, na busca por seu objetivo final.

2- Outra noção muito importante é evitar a comparação entre outros indivíduos da mesma idade, família ou convívio social. Cada pessoa tem seu tempo, suas necessidades e sua forma de adquirir conhecimento e ou maturidade, para chegar naquilo onde deseja.

3- Observar o comportamento dos jovens em suas ações cotidianas e pontuar o que para eles foi relevante, gratificante e de que maneira se sentiram satisfeitos ou não, desenvolvendo suas tarefas.  Tudo que se faz com prazer e satisfação, possibilita um desenvolvimento pessoal mais saudável.

4 – Encorajar o jovem a adquirir mais competência nas áreas que sente mais necessidade, evitando comparações e mostrando que o esforço e as tentativas irão ajudá-lo a desenvolver melhor suas habilidades.

5- Confiar na capacidade da criança e do jovem em fazer suas próprias escolhas, desde as primeiras etapas de seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Os pais participam das decisões dos filhos quando possuem diálogos abertos. 

6- Ajudá-los a identificar os comportamentos adequados em ambientes familiares e sociais. É importante para os pais,  entender seus próprios sentimentos em relação aos filhos, nas experiências emocionais em que todos estão envolvidos.