Quem é você?

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SETTA – Muitas pessoas vivem sem um propósito, com dificuldade em encontrar o sentido da própria existência. Qual conselho você daria para essas pessoas? Qual o primeiro passo para encontrar o próprio caminho?
VITOR CRUZ – A primeira coisa que precisamos saber sobre autoconhecimento é que, ele não é simplesmente um ato isolado, mas um processo contínuo de auto-observação, que tem ser começado o quanto antes, precisa ser investigado todos os dias e dura a vida toda (se você realmente quer uma vida coerente com seus  verdadeiros objetivos, ambições e valores). 
Existem ferramentas que dão um pontapé inicial para partir em busca do autoconhecimento, mas nada substitui o exercício da auto-observação. O que eu chamo de auto-observação? Sempre que passarmos por algum momento na vida em que não estamos nos sentindo bem, precisamos tentar descobrir a essência desse momento. O que fez me sentir mal? Foi o local? Foram as pessoas? Foi a tarefa? Da mesma forma, quando a gente estiver com extremo prazer em trabalhar em algo ou em estar perto de algumas pessoas, devemos nos perguntar “O que está realmente me fazendo sentir tão bem?”, “É o tipo de trabalho, tipo de pessoa, é o tipo de ambiente?”.
Quanto mais a gente entende o que nos faz bem e o que nos faz mal, em essência, mais vamos aprofundando o conhecimento sobre nós mesmos. Por isso, podemos dizer que o pressuposto do autoconhecimento é a auto-observação. Ao longo do tempo, a criação de uma autoconsciência irá estruturar essa descoberta. Conforme você faz esse exercício de perguntas, vai  criando uma robustez de autoconhecimento. Mas não se esqueça: esse processo leva a vida toda porque sempre há algo novo a se descobrir. 

Como saber se as metas que criamos para nossas vidas são realmente nossas ou se são fruto de uma imposição da sociedade ou de familiares?
Para traçar um objetivo de vida é necessário passar antes por um processo de autoconhecimento. Eu costumo fazer a analogia do médico: o tratamento  de um doente só faz sentido se houver um diagnóstico prévio. O mesmo vale para a nossa vida: não devemos traçar objetivos sem antes fazer um breve diagnóstico. Para que possamos fazer escolhas de forma consciente, devemos sempre nos perguntar: “Por que eu quero isso?”, “Quais são os valores que me fizeram buscar isso?”,  “O que essa busca vai acrescentar na minha vida?”. Ainda que você não acerte 100% em suas respostas, saber, conscientemente, o porquê você está fazendo é o princípio do refinamento. Através disso, você vai traçar um objetivo coerente com o seu diagnóstico. Ao longo do processo, você não se sentirá totalmente perdido e terá clareza para fazer melhorias naquilo que traçou. 
Eu sempre digo que, para atingir objetivos pessoais, há 4 etapas que devemos traçar sucessivamente: o autoconhecimento, a tomada de decisão, o planejamento e os comportamentos adequados para colocar em prática o que foi planejado. 
É importante sempre lembrar a razão que te fez começar um determinado processo. Muitas pessoas costumam me perguntar qual o sentido da vida. Eu costumo dizer que não importa se existe um sentido prévio ou universal para a vida. O que realmente importa é que temos liberdade para usar aquilo que descobrimos durante o processo de autoconhecimento, para criar um sentido próprio para nossa existência.
Assim, quando você descobre qual a sua ferramenta e quais os objetivos que te fazem feliz, você é capaz de identificar o sentido da sua própria vida. 

Como usar o autoconhecimento para reagir de forma positiva às mudanças/transformações de vida?
Para responder essa pergunta, é importante lembrar o seguinte: quanto mais você tiver robustez do seu autoconhecimento, mais você vai compreender em que situações se sentirá mais produtivo e perto de quem você consegue isso. Você vai criando uma “automaturidade” que te ajudará a fazer escolhas assertivas, que o conduzam a locais em que você será produtivo. Ainda que esteja em um lugar que, em teoria, possa te causar improdutividade (em todos os sentidos), ao se deparar com esse lugar, você vai saber porque e, uma vez que diagnosticar a razão, vai ficar mais fácil tomar decisões para contornar isso ou tentar moldar o ambiente que o cerca. 
Eu costumo perguntar: “Qual carro é melhor: um de corrida ou um trator?” É possível quantificar qual deles é melhor? A resposta é não, porque depende de qual função ele vai exercer. Não é possível colocar um trator para correr em um GP de corrida. Ao mesmo tempo, não posso colocar um carro de corrida para carregar pedras. Eu não posso forçar um tipo de carro para exercer uma função que não seja a sua.  Embora o cérebro humano seja muito resiliente, flexível e capaz de aprender tudo, temos naturalmente propensões comportamentais e se conseguirmos estar no lugar certo, teremos performances muito melhores.  
Eu gosto da frase de Einstein que diz: “Se nós julgarmos um peixe pela sua capacidade de subir em árvore, ele vai passar a vida inteira se sentindo um idiota”. Essa é uma ideia muito legal para refletirmos, porque peixes não sobem em árvores. Da mesma forma, se colocarmos um macaco para nadar, não podemos dizer que ele é um péssimo nadador porque não consegue acompanhar um peixe na natação. Cada pessoa tem o seu lugar no mundo. Existe a pessoa da criatividade, do planejamento, da execução, da venda e do suporte. 
Trabalhando há muito tempo com vários tipos de pessoas, em várias funções,  vejo claramente que alguns possuem naturalidade para trabalhar em áreas que outros não têm. Escuto muito a seguinte frase: “Vítor, ainda bem que você gosta de fazer o que faz, porque eu estaria perdido se estivesse no seu lugar.” E eu faço com prazer, com brilho nos olhos, com emoção. Trabalho praticamente de férias porque estou exercendo aquilo que nasci para fazer. A gente entra no que a inteligência emocional chama de estado de flow ou estado de fluxo, que é o momento em que temos muita habilidade e um desafio coerente e então, realizamos nosso trabalho com um enorme prazer. E isso só é possível quando você tem um enorme autoconhecimento e se coloca na situação certa, perto das pessoas certas, trabalhando com a coisa certa. 
Entrevistado por Lorena Bordallo.

SEGUNDA COM A SETTA

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